TCE decide seguir liminar que garante repasses de R$ 54 milhões ao Município de Teresina

Em sessão extraordinária realizada, na manhã desta segunda-feira (19), o plenário do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) votou por seguir a liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) em favor da Prefeitura de Teresina, que garante repasses estimados em R$ 54 milhões ao Município, referentes ao ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadoria e Serviços), para o ano de 2023.

A Prefeitura de Teresina, por meio da Procuradoria-Geral do Município, havia impetrado mandado de segurança que prevê a aplicação dos índices de repasse do ICMS Educação e ICMS Saúde já para o ano em curso.

“O Tribunal de Justiça tomou uma decisão no sentido de fazer valer uma liminar concedida e ao Tribunal de Contas cabe seguir essa liminar. O TCE continua monitorando esse problema relativo à aplicação do dos índices de ICMS independentemente de uma intervenção judicial, no sentido de alterar algo”, declarou o presidente do TCE-PI, Kennedy Barros.

Com o TCE/PI seguindo a decisão da liminar, o índice do Município, que estava em 0,26 sob o novo regramento, deve voltar a 0,32. Agora, a Prefeitura de Teresina vai pleitear que o repasse que deve ser feito nesta terça-feira (20) já venha com o índice de 0,32, como explica o secretário Municipal de Finanças, Admilson Brasil.

“Nosso índice era 0,32 e foi para 0,26. Então, com a nova liminar, deve voltar ao índice anterior, é isso que nós queremos, o cumprimento da liminar. Vai abrir uma sessão extraordinária justamente para os conselheiros determinarem quando implementarão, estamos pleiteando para que o repasse de amanhã já seja com novo índice, e também queremos saber quando será reposto o que foi retirado”, afirmou o secretário.

Liminar garante repasses de R$ 54 milhões para a Prefeitura de Teresina referentes aos ICMS

A Procuradoria Geral do Município (PGM) obteve, perante o Tribunal de Justiça do Piauí (TJ/PI), decisão liminar que garante repasses estimados em R$ 54.000.000,00 (cinquenta e quatro milhões de reais) referentes ao ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadoria e Serviços) para o ano de 2023.

O mandado de segurança impetrado aduziu que a determinação do Tribunal de Contas do Piauí (TCE/PI) de aplicação dos índices de repasse do ICMS Educação e ICMS Saúde já para o ano em curso, além de ofender a legislação vigente, implicaria em graves prejuízos às contas públicas municipais, fragilizando o planejamento financeiro e orçamentário, tornando evidente a ofensa à segurança jurídica e irretroatividade.

Em análise ao pedido liminar, o desembargador relator Erivan José da Silva Lopes afirmou que “o Índice de Qualidade da Educação Municipal (IQEM) somente pode ser apurado em 2023, não podendo ser utilizado como critério para rateio do ICMS deste ano, e, contraditoriamente, determina a utilização do aludido índice para a distribuição de ICMS com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2023”.

Sendo concedida a medida liminar para suspender a eficácia das decisões do TCE/PI que determinavam a aplicação dos índices do ICMS Educação e ICMS Saúde para o ano de 2023, prevalecendo decisão anterior da Corte de Contas pela inaplicabilidade dos índices mencionados, por razões de segurança jurídica.

O procurador geral do município de Teresina, Ricardo Martins Neto, informou que “a decisão contribui para a manutenção do equilíbrio financeiro da Prefeitura Municipal, garantindo os repasses tributários devidos, imprescindíveis para a manutenção das ações desenvolvidas pela gestão municipal em favor da população”.

A atuação da PGM se deu com o apoio dos auditores fiscais do município e a Secretaria de Finanças, que repassaram as informações técnicas necessárias para a medida judicial cabível.

Ações de preservação ambiental habilitam Teresina a receber ICMS Ecológico

Teresina desponta entre os municípios piauienses que mais investem na proteção do meio ambiente e de recursos naturais. Sua política de gerenciamento dos resíduos sólidos, que está prestes a concluir o aterro sanitário, bem como ações de educação ambiental, preocupação com a redução do índice de desmatamento e consequente compensação ambiental, além de outros projetos nesse segmento têm feito com que a capital piauiense conquiste, desde 2014, o Selo Ambiental.

Esta certificação é concedida pelo Governo do Estado através do ICMS Ecológico, um benefício instituído pela Lei 5.813 de 2008, que define categorias e critérios para o recebimento deste recurso. Atualmente, o valor total a ser dividido entre os municípios habilitados e certificados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semar) é em torno de R$ 55 milhões. Essa quantia é rateada, ano a ano, e leva em consideração o nível de gestão dos recursos naturais e meio ambiente das cidades inscritas.

O edital deste ano já foi lançado e toda documentação exigida foi entregue no final do mês de abril, em meio físico e digital, conforme as especificações do certame. “Entregamos todos os documentos necessários em uma pilha de cerca de dois metros de altura. Isso demonstra o quanto o município realiza e se preocupa com o meio ambiente. E diante desta vasta documentação, acreditamos que não tem como não conquistarmos a categoria máxima do ICMS Ecológico. Agora, é aguardar a análise da comissão técnica da Semar, cujo resultado deve sair até o final de junho”, explica Esdras Avelino Leitão Junior, gerente executivo de transferências constitucionais da Secretaria Municipal de Finanças (Semf).

Segundo o secretário municipal de Finanças, Francisco Canindé, os recursos repassados através do ICMS Ecológico são de fundamental importância para a continuidade dos investimentos na área ambiental e em outros setores do município. “Com este valor que é repassado anualmente, conseguimos programar e executar diversas ações que beneficiam os teresinenses. Ações estas que estão avançadas, como a implantação do aterro sanitário de Teresina, serviço diário de coleta de lixo, atividades de educação ambiental que se estendem à comunidade, distribuição de mudas de plantas, legislação contra poluição sonora e tantas outras que contribuem com o meio ambiente”, conclui.

Na foto: O auditor fiscal Giuliano Martins Ramos com parte das pilhas de documentos entregues à Semar.